Longe de ser um caso isolado, o que acontece no Carrefour está se repetindo em diversos varejistas. Com isso, a onipresença nos PCs do sistema operacional Windows, da Microsoft, sofre um arranhão pela primeira vez. A comercialização de computadores com Linux, um sistema rival de código aberto, que pode ser instalado e modificado sem pagamento de licença, cresceu fortemente na segunda metade do ano em lojas de todo o país.
No Wal-Mart, as vendas de máquinas com Linux superaram as de equipamentos com o Windows em 20% neste semestre, afirma Eduardo Nogueira de Godoy, diretor comercial de informática da rede varejista. " O principal motivo é o custo " , diz.
A Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que detém as bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Compre Bem, informou que a venda de máquinas com Linux dobrou na rede, em quantidade, na segunda metade do ano. Em valor, o incremento foi de 30%.
O Ponto Frio também experimentou um salto nas vendas de PCs com Linux. No começo do ano, a rede varejista trabalhava apenas com equipamentos munidos com Windows. Hoje, 20% das unidades vendidas possuem software livre. Luiz Fernando Rego, diretor comercial do Ponto Frio, explica que isso ajudou a puxar as vendas de computadores no Natal, que triplicaram em relação a 2004.
O principal responsável por essa arrancada do Linux no varejo é o programa Computador para Todos - o antigo PC Conectado - do governo federal. Dentre os benefícios previstos está o financiamento pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, em condições especiais, para máquinas com preço de até R$ 1,4 mil que atendam a determinadas especificações - incluindo o software livre.
Também há uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que os varejistas financiem equipamentos em 24 vezes com juros de no máximo 3%. O Magazine Luiza foi a primeira rede a conseguir essa facilidade, no início de dezembro. Resultado: encomendou de uma tacada só 4 mil PCs com Linux para a fabricante Positivo.
Embora surpreendente, o avanço do Linux no varejo precisa ser visto em termos relativos. O Windows, da Microsoft, ainda domina em quase todas as redes, com exceção do Wal-Mart. Até agora, o sucesso do software livre nesse mercado deve-se exclusivamente ao custo inferior. Em porcentagem o crescimento é grande, mas a base de comparação é fraca, pois no ano passado as máquinas com Linux eram raridade nas lojas. Por fim, o varejo representa apenas 16% das vendas de computadores no Brasil - embora essa participação esteja crescendo; há um ano, era de 12%.
Até novembro, só 5% dos PCs fornecidos ao varejo pela fabricante Positivo tinham Linux, diz Helio Rotenberg, diretor-geral da empresa.
As distribuições de Linux - empresas que desenvolvem suas versões do sistema operacional e depois cobram pelos serviços, como treinamento e suporte técnico - dizem que o programa do governo despertou a atenção para o software livre. " O grande feito do governo foi ter alertado a população que existe uma solução viável concorrente do Windows " , diz Paulo Maciel, presidente da International Syst, empresa que fornece uma versão de Linux batizada de Metasys.
Jaques Rosenzvaig, presidente da subsidiária nacional da Mandriva Conectiva, a maior distribuição do sistema operacional de código aberto no país, afirma que as vendas para o varejo aumentaram cinco vezes no segundo semestre.
Fonte: JC UOL
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